Trump e Flávio Bolsonaro: Pragmatismo x Ideologia
Flávio Bolsonaro busca refúgio nos EUA após eleição no Brasil

O senador Flávio Bolsonaro, candidato derrotado no segundo turno da eleição brasileira, agradeceu ao presidente Donald Trump e ao povo americano por acolhê-lo nos EUA. Segundo reportagem do jornal americano The New York Times, o assessor de comunicação da Casa Branca, Jason Miller, teria ajudado a providenciar o jatinho no qual Flávio e sua família viajaram.
A Casa Branca não comentou, e Trump disse apenas que Flávio havia recebido autorização para entrar no país. As informações disponíveis indicam que Flávio, sua esposa, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas do casal ingressaram nos EUA com uma autorização que costuma ser concedida por "razões humanitárias" e tem validade de um ano.
Contexto
A declaração de Flávio Bolsonaro de que é o "líder do Brasil" e sua intenção de "liderar a oposição" a partir dos EUA pode criar um nó diplomático insustentável para o governo americano. A especialista em relações bilaterais Bruna Santos, do think tank Inter-American Dialogue, diz que é difícil que essa declaração produza algum reconhecimento efetivo, pois Flávio está completamente isolado politicamente no Brasil.
Reação do Governo Americano
O governo americano ainda não se manifestou formalmente sobre o resultado da votação no Brasil. Em declarações informais, Trump tem demonstrado ambivalência, sugerindo que "pareceu ter fraude", mas também dizendo que gosta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao ser questionado sobre o teor da carta de Flávio, Trump repetiu que não iria se envolver.
Comparação com Venezuela
Flávio Bolsonaro comparou-se a figuras históricas que viveram no exílio, como o brasileiro Rui Barbosa, o estadista francês Charles de Gaulle e o herói nacional cubano José Martí. Ele também se comparou aos venezuelanos Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado, opositores do governo de Nicolás Maduro na Venezuela.
Tensão na Relação com o Brasil
A presença de Flávio nos EUA e sua intenção de se apresentar como "líder do Brasil" podem afetar a reação americana e criar tensão na relação com o Brasil. O senador pode vir a ser indiciado e até ter sua prisão decretada no Brasil à medida que os inquéritos dos quais é alvo avancem. Seu irmão, Eduardo Bolsonaro, vive nos EUA desde o ano passado, apesar de um mandado de prisão contra ele em aberto no Brasil.