Bolsonarismo após Flávio Bolsonaro ir para os EUA
O futuro do bolsonarismo está em aberto após a saída do senador Flávio Bolsonaro do Brasil.

A saída do senador Flávio Bolsonaro do Brasil para os Estados Unidos após ser derrotado na eleição presidencial deixa em aberto o futuro do bolsonarismo. Flávio Bolsonaro divulgou um pronunciamento escrito em sua conta na rede social X, em que se autodeclarou "o verdadeiro presidente do Brasil" e disse que houve "fraude eleitoral", sem apresentar provas.
O resultado da eleição foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelos principais partidos políticos brasileiros, incluindo o PL. Analistas políticos são céticos sobre a capacidade de Flávio Bolsonaro liderar a oposição e o movimento bolsonarista de fora do país.
O futuro do bolsonarismo
O cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), acredita que a atuação dos irmãos nos Estados Unidos não terá apoio da maioria da sociedade. Ele lembra que o tarifaço adotado pela Casa Branca contra o Brasil foi mal visto pela maioria da população.
Lideranças emergentes
A cientista política Daniela Costanzo, pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), diz que o bolsonarismo se organiza como um "partido digital", com uma organização coordenada nas redes que está para além da estrutura tradicional de uma legenda política. Ela destaca nomes como Tarcísio de Freitas, Sergio Moro e Cleitinho Azevedo como potenciais lideranças do movimento.
O papel de Michelle Bolsonaro
Michelle Bolsonaro é vista como uma liderança política em ascensão, com potencial para liderar o movimento bolsonarista. Ela se projetou como liderança política na presidência do PL Mulher, alavancando a eleição de candidaturas femininas na sigla. No entanto, Marco Antonio Carvalho Teixeira vê dificuldades para Michelle, Carlos ou Jair Renan assumirem a liderança do movimento e aposta em lideranças de fora do clã familiar.
O bolsonarismo em três frentes
Professor do Instituto Federal da Bahia (IFBA) e um dos autores do livro Bolsonarismo e o Brasil Profundo, Fábio Baldaia considera que o movimento se manterá forte mesmo após a derrota de Flávio e sua saída do Brasil. Ele acredita que o bolsonarismo atuará em três frentes: no Congresso, nas redes e na articulação a partir dos EUA.