Política

Novatas no Senado

Sete das 12 senadoras eleitas têm vínculos familiares com políticos.

Por Rafael Citario
Novatas no Senado
Foto: Element5 Digital no Unsplash

Mais da metade das senadoras eleitas têm vínculos familiares com políticos, de acordo com um levantamento exclusivo feito pelo Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada (LAPPCOM) para a BBC News Brasil. Sete das 12 senadoras eleitas têm conexões com políticos que ocupam ou ocuparam cargos no Executivo de primeiro escalão, como prefeitos, governadores ou presidente.


Essa relação é especialmente forte entre as novatas no Senado, que nunca antes ocuparam um cargo eletivo. Quatro delas são ex-primeiras-damas e foram eleitas com o apoio de seus maridos, que são políticos influentes em seus respectivos estados. Marina JHC, por exemplo, é casada com João Henrique Caldas, que foi eleito governador de Alagoas, e Rayssa Furlan é casada com Dr. Furlan, que foi eleito governador do Amapá.


A cientista política Mayra Goulart, coordenadora do LAPPCOM, explica que a eleição para o Senado é majoritária e que a associação com um nome forte no estado pode ser um fator importante para a vitória. "A candidatura ao Senado exige a capacidade de penetrar em diferentes territórios do Estado. E quando você se associa a um nome forte naquele Estado, tem maior facilidade de fazer seu nome chegar a diferentes redutos e municípios", afirma.

O papel das esposas de políticos

A advogada e produtora rural Gracinha Caiado, 67, é uma das senadoras eleitas com vínculos familiares. Ela é casada com Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, e atuou no governo do marido em Goiás. Em resposta à BBC News Brasil, Gracinha destacou que sua identidade não precisa ser construída em oposição à de seu marido e que tem orgulho do legado de Ronaldo Caiado.


A pesquisadora Mayra Goulart aponta que o investimento de alguns partidos de direita na formação de quadros femininos pode ser uma explicação para o avanço de senadoras com vínculos familiares. Michelle Bolsonaro, por exemplo, é o grande exemplo disso, tendo sido presidente do PL Mulher e contribuído para o aumento do número de filiadas no partido.


A ascensão de primeiras-damas nessa eleição chama a atenção da pesquisadora, que destaca o papel de esposa como emblemático no discurso conservador. "O papel de esposa é muito emblemático nesse discurso da família tradicional, que é um papel de protagonismo subalterno. A esposa tem protagonismo principalmente no ambiente privado e doméstico, mas é um protagonismo subalterno à figura masculina", afirma.

O desafio da representação feminina

Hoje, pela lei, os partidos devem ter no mínimo 30% das candidaturas em eleições proporcionais preenchidas por mulheres. Também devem destinar no mínimo 30% das verbas de campanha e do tempo de propaganda eleitoral para elas. No entanto, a representação feminina no Senado ainda é um desafio, e a eleição de senadoras com vínculos familiares pode ser vista como um passo para aumentar a participação das mulheres na política.


A cientista política Mayra Goulart critica a falta de diversidade e a limitação da representação feminina no Senado, destacando que as senadoras eleitas com vínculos familiares podem não representar a diversidade de vozes e perspectivas necessárias para uma representação mais ampla e inclusiva. "Na eleição atual, as esposas são exatamente as estreantes. Isso relativiza a ideia de renovação, uma vez que elas já trazem consigo um capital familiar", afirma.

Com informações de BBC Brasil.

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