Eleição de jovem deputada revela força da direita no Brasil
A eleição de Julia de Castro, de 24 anos, para deputada federal pelo Rio de Janeiro, mostra a força da direita no Brasil.

A eleição de Julia de Castro, de 24 anos, para deputada federal pelo Rio de Janeiro, é um exemplo da força da direita no Brasil. Com 103.880 votos, Julia superou expectativas e se tornou a deputada federal mais jovem do estado.
A trajetória de Julia é um caso de sucesso na política digital. Ela começou a ganhar visibilidade nas redes sociais em 2022, quando passou a expor as hostilidades que sofria por ser eleitora de Jair Bolsonaro. Desde então, tem ampliado sua audiência com conteúdos críticos à esquerda. A pouco mais de um mês da eleição, Julia tinha 447 mil seguidores no Instagram, com 60% deles tendo entre 18 e 34 anos.
A eleição de Julia não foi um fenômeno isolado. O pleito ampliou a presença da direita no Congresso, puxada sobretudo pelo PL, que passou de 97 para 121 deputados. A congressista integrou uma leva de políticos de direita com menos de 30 anos que se elegeram depois de construir capital político nas plataformas digitais.
Como a direita conquistou a maioria dos jovens deputados eleitos
A direita foi a que melhor entendeu a estratégia multifatorial para conquistar a maioria dos jovens deputados eleitos. Segundo a pesquisadora Beatriz Besen, a direita investiu em lançar candidaturas jovens com uma trajetória de influência digital prévia. Isso permitiu que esses candidatos chegassem aos partidos com parte do capital político já construído.
A trajetória de Julia de Castro é um bom exemplo de como o sucesso eleitoral depende do entrelaçamento entre a popularidade nas redes e a política institucional. Ela participou de uma conferência conservadora no Rio ao lado de políticos do PL e foi nomeada secretária parlamentar no gabinete de um deputado do partido. Depois, tornou-se assessora no gabinete de outro deputado e assumiu a vice-presidência nacional do PL Jovem.
A fórmula do sucesso de Julia e do PL
A fórmula do sucesso de Julia e do PL foi a combinação de popularidade nas redes com apoio de lideranças e estrutura partidária. O partido da família Bolsonaro foi o que mais elegeu candidatos jovens, com 17 de 57 candidaturas. A sigla conseguiu articular "visibilidade, apoio de lideranças e estrutura partidária".
O resultado veio nas urnas. O PL foi o partido que mais elegeu candidatos jovens, com 30% de aproveitamento. Em comparação, o Missão, partido que mais lançou candidatos jovens, não elegeu nenhum dos 168 nomes. O PT, por sua vez, teve êxito em 8 de 43 candidaturas, um aproveitamento de 18%. Já PSOL e Novo conseguiram ter aproveitamento baixo, de 2,1% e 1,7%, respectivamente.
Para o cientista político Nilton Sainz, uma hipótese para o maior sucesso do PL está na aposta em candidaturas personalistas. Ao combinar uma identidade com apelo nas redes a audiência própria e apoio direto de lideranças nacionais, esses candidatos chegam aos partidos com parte do capital político já construído.