Cultura

Manguebeat: o movimento que mudou a cultura brasileira

O manguebeat, movimento nascido no Recife, misturou ritmos regionais com influências estrangeiras e se tornou um dos mais importantes da cultura brasileira.

Por Rafael Citario ·
Manguebeat: o movimento que mudou a cultura brasileira
Foto: Chico Science — Wikipédia/Wikimedia Commons

O manguebeat, um movimento cultural que nasceu no Recife, em Pernambuco, nos anos 1990, mudou a forma como a cultura brasileira era produzida e consumida. Com a mistura de ritmos regionais, como o maracatu e o coco, com influências estrangeiras, como o punk e o hip-hop, o manguebeat se tornou um dos mais importantes movimentos culturais da história do Brasil.

O contexto

O manguebeat surgiu em um momento de crise econômica e social no Recife, quando a cidade enfrentava estagnação econômica, desemprego, pobreza e violência urbana. No entanto, foi justamente essa crise que serviu de combustível para a cena, que ressignificou o conceito da lama e fez do movimento um dos mais importantes da cultura brasileira das últimas décadas.

A formação da cena

O manguebeat foi formado por uma rede de músicos, produtores e artistas que se reuniam em bares, festas e lojas de discos para compartilhar ideias e criar música. Chico Science, um dos principais nomes do movimento, cresceu em Rio Doce, na periferia de Olinda, e teve contato com maracatu, ciranda e outras manifestações populares. Ele se aproximou do hip-hop e do break e formou a Nação Zumbi, que se tornou uma das principais bandas do movimento.

O legado

O manguebeat não ficou restrito aos palcos. As suas ideias passaram a circular pelo cinema, pelas artes visuais, pela literatura e pela moda. O movimento ajudou a consolidar uma forma diferente de compreender a cultura local, recolocando o Recife como um centro de produção artística contemporânea e estimulando uma geração de criadores a dialogar com referências locais e globais sem estabelecer hierarquias entre elas.

O legado do manguebeat está na capacidade de continuar provocando perguntas sobre quem produz cultura, quem é reconhecido por ela e quais vozes permanecem à margem. Para os pesquisadores, foi essa disposição de reinventar linguagens e questionar hierarquias que permitiu ao movimento ultrapassar seu próprio período histórico e continuar inspirando novas formas de criação.

FONTE: Super

Com informações de Super.
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