Vacina contra câncer reduz risco de morte em 42%
Vacina de mRNA reduz risco de morte ou recidiva de melanoma em 42%.

Uma vacina contra o câncer desenvolvida pelas farmacêuticas Moderna e Merck (MSD, no Brasil) reduziu em 42% o risco de morte ou recidiva de melanoma em um grande estudo. A vacina, chamada intismeran autogene, foi testada em conjunto com o Keytruda, um imunoterápico amplamente utilizado.
De acordo com os resultados do estudo de fase 3, a combinação da vacina com o Keytruda também reduziu em 38% o risco de disseminação do câncer. Esses dados são considerados significativos e podem representar um novo capítulo no tratamento do câncer, segundo o CEO da Moderna, Stephane Bancel.
A vacina intismeran autogene é baseada em mutações específicas do tumor de cada paciente e é projetada para instruir as células do paciente a produzir cópias de mutações específicas, permitindo que o sistema imunológico as identifique e destrua. O Keytruda, por sua vez, atua removendo um freio natural usado pelas células cancerígenas para se esconder do ataque do sistema imunológico.
As empresas estão se preparando para solicitar aprovação nos EUA e esperam lançar a vacina contra o câncer em 2027. Além disso, a combinação intismeran/Keytruda já está sendo testada em vários outros tipos de câncer, incluindo os de rim, bexiga e pulmão.
Resultados do estudo
Os resultados do estudo de fase 3 sobre melanoma mostraram que, entre os pacientes que receberam a vacina além do Keytruda, 82,2% continuavam livres do câncer após dois anos, ante 70% dos pacientes que receberam apenas Keytruda. Esses resultados são considerados altamente significativos do ponto de vista estatístico, segundo Hussein Tawbi, especialista em melanoma e pesquisador do estudo no MD Anderson Cancer Center da Universidade do Texas.
Expectativas e perspectivas
Vários analistas de Wall Street disseram que os investidores esperavam que a combinação reduzisse em 40% ou mais o risco de recidiva. No entanto, os resultados do estudo podem gerar preocupações entre os investidores sobre a possibilidade de a tecnologia ser amplamente aplicável a outros tipos de câncer. O CEO da Moderna, Stephane Bancel, acredita que a vacina deverá aumentar a eficácia "em todos os casos em que o Keytruda funciona", mas ainda não se sabe em que medida ela melhorará os resultados.