Diretor de South of Midnight admite que não teria financiado o próprio jogo
David Sears afirma que provavelmente não aprovaria o investimento em South of Midnight se comandasse o Xbox e critica a estratégia de financiamento que quase levou ao fechamento da Compulsion Games. Meus amigos, existe uma coisa que sempre achei fasc
David Sears afirma que provavelmente não aprovaria o investimento em South of Midnight se comandasse o Xbox e critica a estratégia de financiamento que quase levou ao fechamento da Compulsion Games.
Meus amigos, existe uma coisa que sempre achei fascinante na indústria dos videogames: a capacidade de uma empresa gastar milhões de dólares desenvolvendo um produto, comemorar seu lançamento, elogiar o talento da equipe e, algum tempo depois, descobrir que talvez ninguém tenha feito as contas direito.
É praticamente o funcionamento de uma reunião de condomínio, só que com orçamentos capazes de comprar o prédio inteiro.
A declaração da vez veio de David Sears , ex-diretor criativo de South of Midnight , aventura desenvolvida pela Compulsion Games e lançada originalmente em abril de 2025 para Xbox e PC.
Em entrevista ao canal MinnMax , Sears reconheceu que, se estivesse na posição dos executivos responsáveis por decidir quais projetos receberiam dinheiro da Microsoft, provavelmente não teria financiado o próprio jogo .
Sim, meus amigos. O diretor criativo de um jogo admitiu que talvez não tivesse aprovado o orçamento da produção em que trabalhou.
É o tipo de declaração capaz de provocar uma parada cardíaca no departamento de relações públicas de qualquer grande empresa.
PARABÉNS, MICROSOFT! VOCÊS CONSEGUIRAM FINANCIAR UM JOGO TÃO AMBICIOSO QUE ATÉ UM DOS RESPONSÁVEIS POR CRIÁ-LO OLHA PARA TRÁS E PENSA: RAPAZ, AINDA BEM QUE O DINHEIRO NÃO ERA MEU!
Mas, antes que alguém interprete a frase como uma confissão de que South of Midnight era um jogo ruim ou não deveria ter existido, precisamos entender o contexto. Porque a história é mais complicada do que parece.
Veja o trailer.
O diretor não se arrepende de criar South of Midnight. O problema era a conta
Durante a conversa, Sears explicou que gostou de trabalhar no projeto e reconheceu a importância da oportunidade oferecida pela Microsoft.
O executivo também destacou que o Xbox financiava diferentes tipos de experiências, incluindo jogos que dificilmente seriam tratados como grandes sucessos comerciais garantidos.
Essa liberdade era positiva para os desenvolvedores, mas também trazia um problema bastante evidente: alguém precisaria continuar pagando por tudo aquilo.
Sears relatou que, durante o desenvolvimento, já demonstrava preocupação com a possibilidade de a Microsoft interromper os investimentos em determinados projetos.
Segundo ele, caso a empresa resolvesse fechar a torneira do financiamento, as consequências para os estúdios poderiam ser traumáticas.
Quando o apresentador Ben Hanson perguntou se isso significava que ele próprio teria recusado financiar South of Midnight caso estivesse no comando do Xbox, Sears respondeu que provavelmente sim.
O motivo não era uma suposta falta de confiança na qualidade artística do jogo, mas a percepção de que o modelo de investimentos poderia se tornar insustentável.
Em outras palavras, o diretor estava fazendo uma distinção que muita gente esquece: querer criar um videogame e acreditar que ele representa um investimento financeiramente justificável são coisas diferentes .
Eu adoraria financiar um novo Panzer Dragoon Saga , um remake de King’s Valley e uma continuação de Skies of Arcadia .
Mas, se tivesse que colocar meu patrimônio pessoal na mesa, provavelmente começaria perguntando se não seria mais prudente comprar algumas ações, pagar o financiamento da casa e deixar os dragões voadores para outra ocasião.
South of Midnight conquistou mais de um milhão de jogadores, mas isso não significa um milhão de cópias vendidas
Lançado em 8 de abril de 2025 , South of Midnight chamou atenção por sua direção artística inspirada em animações stop-motion, pela ambientação no sul dos Estados Unidos e pela utilização de elementos do folclore regional.
A protagonista Hazel percorre um universo de fantasia sombria, encontrando criaturas estranhas e descobrindo segredos familiares enquanto desenvolve poderes relacionados à habilidade de reparar conexões mágicas.
É uma produção bastante diferente dos grandes jogos de tiro ou das aventuras convencionais que normalmente dominam os calendários das grandes editoras.
E isso tem valor.
O jogo conquistou elogios por sua apresentação, trilha sonora e identidade narrativa, embora aspectos como o combate repetitivo tenham recebido críticas.
Nas primeiras três semanas, a Compulsion Games anunciou que mais de um milhão de pessoas haviam jogado South of Midnight .
É um número relevante, mas precisamos esclarecer um detalhe: ele inclui participantes que acessaram a aventura pelo Game Pass .
Portanto, não equivale a um milhão de cópias vendidas.
Também não permite calcular sozinho quanto dinheiro a produção arrecadou ou se conseguiu recuperar seus custos de desenvolvimento.
O orçamento total de South of Midnight não foi divulgado publicamente de maneira que permita fazer essa comparação.
Assim, seria precipitado afirmar que conhecemos exatamente o prejuízo do jogo ou que seu desempenho financeiro, isoladamente, provocou as decisões posteriores da Microsoft.
A Microsoft queria jogos diferentes. Depois percebeu que jogos diferentes também custam dinheiro
Quando adquiriu a Compulsion Games em 2018, a Microsoft estava ampliando consideravelmente sua estrutura de estúdios internos.
A estratégia envolvia fortalecer o catálogo do Xbox e oferecer maior variedade de produções aos assinantes de seus serviços.
Isso significava investir não apenas em blockbusters, mas também em aventuras menores, projetos experimentais e experiências destinadas a públicos específicos.
Na época do lançamento de South of Midnight, Guillaume Provost, chefe da Compulsion Games, explicou que a função do estúdio dentro do Xbox não era produzir sucessos do tamanho de Call of Duty , mas contribuir para a diversidade do catálogo.
Era uma proposta interessante.
Afinal, uma indústria formada exclusivamente por jogos gigantescos, continuações anuais e franquias de bilhões de dólares seria um lugar profundamente tedioso.
Imagine abrir a loja digital e descobrir que todos os lançamentos são alguma variação de um soldado armado, um mundo aberto com duzentos ícones ou um jogo de serviço querendo vender um passe de batalha.
É praticamente o pesadelo de qualquer pessoa que ainda acredita na criatividade dos videogames.
O problema é que a Microsoft também precisava justificar seus investimentos.
E, segundo Sears, a estratégia de financiar tantas produções diferentes poderia enfrentar dificuldades quando os executivos resolvessem reduzir os gastos.
Foi exatamente esse risco que ele afirmou temer.
O que não significa, necessariamente, que cada projeto alternativo fosse financeiramente inadequado. A viabilidade depende de custos, receita, objetivos estratégicos e resultados de longo prazo.
Mas a preocupação do diretor ajuda a compreender o dilema enfrentado por grandes editoras: quanto vale financiar um jogo que fortalece a identidade de uma plataforma, mesmo que não se transforme em um sucesso comercial gigantesco?
A Compulsion quase fechou e voltou a ser independente
Em julho de 2026, a Microsoft anunciou uma reestruturação significativa em sua divisão de jogos, envolvendo milhares de demissões e mudanças no futuro de diferentes estúdios.
A Compulsion Games estava entre as empresas afetadas pelo processo.
Em vez de encerrar definitivamente suas atividades, entretanto, o estúdio conseguiu negociar seu retorno à independência.
A mudança foi concretizada nos meses seguintes, e a Compulsion passou a administrar novamente seus próprios projetos.
Em agosto, inclusive, a listagem de South of Midnight na Steam já identificava a Compulsion Games como responsável pela publicação do título.
É um desfecho menos trágico do que o fechamento definitivo, mas não deixa de representar uma mudança profunda para uma equipe que havia passado anos trabalhando dentro da estrutura da Microsoft.
E existe uma ironia particularmente desagradável nessa história.
O estúdio foi adquirido justamente para ajudar a oferecer variedade ao catálogo do Xbox. Depois, quando a estratégia empresarial mudou, tornou-se uma das equipes envolvidas no processo de redução de custos.
É como contratar um músico para tocar jazz durante uma festa e, algumas horas depois, demiti-lo porque a diretoria decidiu que só pretende ouvir música sertaneja.
O problema não está necessariamente na qualidade do músico.
Está na mudança de prioridades de quem organiza a festa.
O verdadeiro problema não é South of Midnight, mas o modelo de financiamento
A declaração de David Sears merece atenção justamente porque não representa uma tentativa de ridicularizar o próprio jogo.
Ela aponta para uma contradição da indústria moderna.
Grandes editoras afirmam desejar criatividade, variedade e experiências diferentes. Investem em equipes talentosas, aprovam conceitos interessantes e incentivam projetos que fogem das fórmulas comerciais mais previsíveis.
Mas, quando os resultados precisam ser apresentados aos investidores, essas mesmas empresas frequentemente passam a exigir retornos financeiros cada vez maiores.
É um equilíbrio complicado.
Não podemos exigir que qualquer companhia financie indefinidamente projetos sem considerar seus custos.
Mas também não faz sentido defender a diversidade criativa apenas enquanto o dinheiro parece infinito.
South of Midnight existe porque a Microsoft decidiu investir em algo que não era simplesmente mais um jogo de tiro multiplayer.
O fato de a experiência ter encontrado público, conquistado reconhecimento e desenvolvido uma identidade própria demonstra que existe espaço para esse tipo de produção.
Já sua sustentabilidade financeira continua sendo uma questão diferente, que exige dados mais completos do que os disponíveis publicamente.
Hoje, David Sears trabalha como diretor criativo na Orphan Toyz LLC , empresa dedicada ao suporte de desenvolvimento de jogos.
Suas declarações mostram que ele continua valorizando a oportunidade de ter criado South of Midnight, mesmo reconhecendo que talvez tivesse tomado uma decisão financeira diferente se estivesse do outro lado da mesa.
PARABÉNS, MICROSOFT! VOCÊS DESCOBRIRAM QUE FINANCIAR JOGOS CRIATIVOS É MARAVILHOSO ATÉ O MOMENTO EM QUE ALGUÉM DO FINANCEIRO PERGUNTA QUANTO CUSTOU A BRINCADEIRA. AÍ O FOLCLORE DE SOUTH OF MIDNIGHT VIRA HISTÓRIA DE TERROR CORPORATIVO!
O caso deixa uma pergunta incômoda para o futuro do Xbox e de outras grandes editoras.
Se apenas os jogos capazes de gerar retornos gigantescos receberem investimentos, quem vai financiar as ideias diferentes?
Porque, meus amigos, uma indústria formada exclusivamente por blockbusters pode até produzir muito dinheiro.
Mas também corre o risco de produzir sempre os mesmos videogames.
E, depois de mais de quarenta anos acompanhando essa indústria, considero essa possibilidade muito mais assustadora do que qualquer criatura encontrada nos pântanos de South of Midnight.
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