Cultura

O Poder da Câmera

O diretor Lee Chang Dong fala sobre seu novo filme, Possible Love, e a ética de capturar a dor alheia.

Por Rafael Citario
O Poder da Câmera
Foto: Lee Chang-dong — Wikipédia/Wikimedia Commons

O diretor Lee Chang Dong, conhecido por seu filme Burning, está de volta com Possible Love, uma obra que aborda a luta dos trabalhadores, a conexão humana e a natureza da captura de imagens. Em entrevista à The Verge, Lee Chang Dong falou sobre como chegou a suas ideias políticas e sobre a relação entre os diretores de cinema e as forças sociais que os influenciam.

Possible Love é inspirado em eventos reais de 2009, quando uma conglomerado coreano demitiu um terço de seus funcionários, levando a uma onda de suicídios. O filme segue a história de Mi-ok, a esposa de um dos funcionários demitidos, e sua relação com uma cineasta que busca capturar a dor e a luta dos trabalhadores. Lee Chang Dong explicou que o filme não busca apenas capturar a luta dos trabalhadores, mas também questionar a ética de capturar a dor alheia e a relação entre o diretor e seus sujetos.

A Influência de Daegu

Lee Chang Dong cresceu em Daegu, uma cidade conhecida por sua conservadorismo. Ele participou de protestos contra o regime de Chun Doo-hwan em 1980, o que o fez questionar a política conservadora da cidade. Essa experiência influenciou sua visão de mundo e sua abordagem ao cinema.

A Relação com Outros Diretores

Lee Chang Dong conhece pessoalmente outros diretores coreanos, como Bong Joon Ho e Park Chan Wook. Embora eles não discutam frequentemente sobre seus trabalhos, Lee Chang Dong acredita que a experiência compartilhada de viver a história moderna da Coreia os une. Ele também mencionou que Bong Joon Ho uma vez compartilhou com ele um script sobre uma mãe e sua luta, o que o fez questionar a ética de capturar a dor alheia.

A Colaboração com Oh Jung-mi

Lee Chang Dong colaborou com a roteirista Oh Jung-mi em Possible Love. Ele a conheceu na Korea National University of Arts e a descreveu como uma pessoa criativa e perspicaz. A colaboração entre eles foi frutífera, embora Lee Chang Dong tenha mencionado que ele costuma descartar projetos, o que pode ser frustrante para Oh Jung-mi.

A Função da Câmera

Lee Chang Dong questionou a função da câmera em diferentes contextos, desde a documentação de uma cena de violência policial até a captura de momentos íntimos de dor e sofrimento. Ele acredita que a câmera pode ser um instrumento poderoso, mas também pode ser usada para explorar a dor alheia. Ele mencionou que, como cineasta, ele busca capturar a verdade, mas também é consciente da responsabilidade que vem com a câmera.

FONTE: The Verge

Com informações de The Verge.
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