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EUA não podem desligar IA militar da Otan

Palantir diz que não há mecanismo para desligar sistema de inteligência artificial.

Por Rafael Citario
EUA não podem desligar IA militar da Otan
Foto: Igor Omilaev no Unsplash

A empresa de tecnologia Palantir afirmou recentemente que nem ela nem o governo dos Estados Unidos têm a capacidade de desligar remotamente o sistema de inteligência artificial militar utilizado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Isso ocorre em um momento de crescentes preocupações europeias sobre a dependência de tecnologias militares americanas, especialmente após a restrição do uso do serviço Starlink, da SpaceX, na Ucrânia.

O sistema em questão, conhecido como Maven Smart System, é capaz de processar dados do campo de batalha para auxiliar militares na tomada de decisões. Embora a Otan tenha adquirido a plataforma, países como França e Alemanha optaram por não incorporá-la às suas próprias forças armadas devido a preocupações com a dependência de uma empresa estrangeira. A resistência à adoção do Maven está diretamente relacionada ao medo de que decisões tomadas nos Estados Unidos possam afetar a operação de tecnologias militares críticas.

Como funciona o sistema Maven

Desenvolvido pela Palantir, o Maven reúne informações de satélites, radares e outros sensores para oferecer aos comandantes uma visão mais completa do campo de batalha. A Otan adquiriu a plataforma em 2025 para seu Quartel-General Supremo das Potências Aliadas na Europa, e em junho de 2026, a aliança declarou que o sistema havia alcançado plena capacidade técnica operacional. No entanto, a adoção pela Otan não levou todos os países europeus a utilizar a ferramenta em suas próprias estruturas militares.

Por que França e Alemanha resistem

A resistência à plataforma está ligada à preocupação de depender de uma empresa americana para atividades militares estratégicas. As tensões políticas entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e líderes europeus também aumentaram as dúvidas sobre os riscos de depender de tecnologias que podem ser afetadas por decisões tomadas em Washington. O episódio envolvendo a Ucrânia reforçou esse receio, com o país relatando restrições ao Starshield, serviço militar que utiliza a constelação de satélites Starlink, da SpaceX.

Palantir garante controle aos clientes

Diante das preocupações, Louis Mosley, vice-presidente executivo da Palantir para o Reino Unido e a Europa, afirmou que os clientes mantêm o controle operacional do software adquirido. Segundo Mosley, não existem mecanismos de desligamento, e a Palantir ou o governo dos Estados Unidos não têm como acessar o sistema e desligá-lo. Além disso, ele explicou que a participação de funcionários da empresa na operação depende da decisão do cliente, e que clientes militares e corporativos já operam os sistemas dessa forma.

A discussão sobre a plataforma envolve questões importantes, como acesso a informações militares, continuidade das operações e controle tecnológico. A Palantir afirma que seus clientes podem operar o Maven sem a participação da empresa e que nem ela nem o governo estadunidense conseguem desligar o sistema remotamente. No entanto, a Alemanha mantém a preocupação com o acesso de funcionários privados a dados militares estratégicos, enquanto a França também não adotou a plataforma, embora os motivos específicos não sejam detalhados.

Com informações de Olhar Digital.
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