EUA não podem desligar IA militar da Otan
Palantir diz que não há mecanismo para desligar sistema de inteligência artificial.
A empresa de tecnologia Palantir afirmou recentemente que nem ela nem o governo dos Estados Unidos têm a capacidade de desligar remotamente o sistema de inteligência artificial militar utilizado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Isso ocorre em um momento de crescentes preocupações europeias sobre a dependência de tecnologias militares americanas, especialmente após a restrição do uso do serviço Starlink, da SpaceX, na Ucrânia.
O sistema em questão, conhecido como Maven Smart System, é capaz de processar dados do campo de batalha para auxiliar militares na tomada de decisões. Embora a Otan tenha adquirido a plataforma, países como França e Alemanha optaram por não incorporá-la às suas próprias forças armadas devido a preocupações com a dependência de uma empresa estrangeira. A resistência à adoção do Maven está diretamente relacionada ao medo de que decisões tomadas nos Estados Unidos possam afetar a operação de tecnologias militares críticas.
Como funciona o sistema Maven
Desenvolvido pela Palantir, o Maven reúne informações de satélites, radares e outros sensores para oferecer aos comandantes uma visão mais completa do campo de batalha. A Otan adquiriu a plataforma em 2025 para seu Quartel-General Supremo das Potências Aliadas na Europa, e em junho de 2026, a aliança declarou que o sistema havia alcançado plena capacidade técnica operacional. No entanto, a adoção pela Otan não levou todos os países europeus a utilizar a ferramenta em suas próprias estruturas militares.
Por que França e Alemanha resistem
A resistência à plataforma está ligada à preocupação de depender de uma empresa americana para atividades militares estratégicas. As tensões políticas entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e líderes europeus também aumentaram as dúvidas sobre os riscos de depender de tecnologias que podem ser afetadas por decisões tomadas em Washington. O episódio envolvendo a Ucrânia reforçou esse receio, com o país relatando restrições ao Starshield, serviço militar que utiliza a constelação de satélites Starlink, da SpaceX.
Palantir garante controle aos clientes
Diante das preocupações, Louis Mosley, vice-presidente executivo da Palantir para o Reino Unido e a Europa, afirmou que os clientes mantêm o controle operacional do software adquirido. Segundo Mosley, não existem mecanismos de desligamento, e a Palantir ou o governo dos Estados Unidos não têm como acessar o sistema e desligá-lo. Além disso, ele explicou que a participação de funcionários da empresa na operação depende da decisão do cliente, e que clientes militares e corporativos já operam os sistemas dessa forma.
A discussão sobre a plataforma envolve questões importantes, como acesso a informações militares, continuidade das operações e controle tecnológico. A Palantir afirma que seus clientes podem operar o Maven sem a participação da empresa e que nem ela nem o governo estadunidense conseguem desligar o sistema remotamente. No entanto, a Alemanha mantém a preocupação com o acesso de funcionários privados a dados militares estratégicos, enquanto a França também não adotou a plataforma, embora os motivos específicos não sejam detalhados.
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