EUA e Argentina assinam acordo de US$ 7 bilhões
Acordo visa melhorar infraestrutura para exportação de minerais e energia
O governo dos Estados Unidos e o governo da Argentina assinaram um acordo de investimento de quase US$ 7 bilhões, conhecido como Corredor Andes-Atlântico, com o objetivo de melhorar a infraestrutura de rodovias, portos e ferrovias da Argentina para facilitar a exportação de minerais, petróleo e gás. O acordo foi apresentado pelo ministro das Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno, e pelo subsecretário de Estado dos EUA, Christopher Landau.
O acordo é visto como uma medida para reforçar o apoio ao presidente argentino, Javier Milei, em pleno ano eleitoral, e como parte da disputa dos EUA com a China por espaço nos setores produtivos argentinos. De acordo com o comunicado conjunto divulgado após a assinatura do acordo, o corredor buscará "facilitar o investimento público e privado em transporte, energia e infraestrutura digital" e consolidar os EUA como "um parceiro fundamental para a Argentina em infraestrutura e investimento".
O pesquisador de economia Esteban Actis, da Universidade Nacional de Rosário, explica que o acordo oferece proteção a potenciais investidores interessados no país sul-americano e que os EUA estão buscando uma rota segura para garantir o fornecimento de recursos naturais. O acordo também prevê a modernização digital da infraestrutura alfandegária e a expansão das redes de energia elétrica e infraestrutura tecnológica.
Um dos pontos que mais chamam a atenção no acordo é a referência às jazidas de lítio e cobre no norte da Argentina, especialmente na província de Jujuy. A Argentina tem a terceira maior reserva de lítio do mundo, mineral usado na fabricação de baterias para carros elétricos. Atualmente, o país mantém diversos contratos com empresas chinesas para explorar esse recurso.
O acordo é visto como uma medida para disputar com a China no mesmo terreno e para permitir que os EUA comecem a oferecer alternativas de financiamento e investimento. O especialista em tecnologia Enrique Carrier explica que o objetivo é melhorar a rede de fibra óptica da Argentina e que a iniciativa é uma "win-win situation" para ambos os países.
O financiamento do acordo ficará a cargo do Banco de Exportação e Importação dos EUA e os recursos serão destinados principalmente à compra de bens e serviços americanos a partir de 2027. Inicialmente, os recursos serão investidos na melhoria da infraestrutura terrestre que conecte os campos de petróleo de Vaca Muerta aos portos comerciais argentinos.
O acordo pode ter implicações significativas para a economia argentina e para a relação entre os EUA e a China na região. É importante acompanhar os desenvolvimentos futuros para entender melhor os efeitos do acordo.