Economista André Lara Resende propõe mudanças na política monetária
André Lara Resende defende a criação de um conselho para coordenar políticas monetária e fiscal.
O economista André Lara Resende, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e diretor do Banco Central, propôs a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN) para coordenar as políticas monetária e fiscal do país. Segundo ele, o objetivo é reduzir a taxa básica de juros, que é uma das mais altas do mundo, e promover a sustentabilidade fiscal.
Contexto
A proposta de Lara Resende ganhou destaque após a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) compartilhar seu artigo em redes sociais, defendendo a ideia como fundamental para enfrentar a ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira. No entanto, o economista nega ter conversado com o presidente Lula ou ter marcado uma reunião para discutir a proposta, afirmando que a notícia foi plantada para queimar a proposta ou prejudicar alguém que a defendeu.
A proposta
Lara Resende explica que o núcleo da sua proposta é responder por que a taxa básica de juros é tão alta no Brasil e como escapar dessa armadilha. Ele defende que o déficit fiscal brasileiro é causado mais pelo juro básico elevado do que pelos gastos do governo propriamente. A criação do CFMN permitiria a coordenação de expectativas sobre os juros e a política fiscal, garantindo a sustentabilidade fiscal ao país e permitindo a redução da taxa básica de juros.
Críticas e debates
A proposta de Lara Resende tem sido debatida por economistas e especialistas, com alguns argumentando que a redução da taxa de juros poderia levar a uma alta de inflação no curto prazo. Outros criticam a ideia de criar um conselho para coordenar as políticas monetária e fiscal, argumentando que isso poderia afetar a independência do Banco Central. O economista americano John Cochrane, por exemplo, qualificou a proposta de Lara Resende como "sofisticada", mas disse que ela se baseia mais em teorias do que em políticas práticas.
Consequências
Lara Resende afirma que a manutenção dos juros altos é consequência de uma combinação de interesses específicos e ignorância, e que a redução gradual e anunciada da taxa básica de juros para uma faixa em que ela fosse menor do que o crescimento da economia garantiria a convergência da relação entre dívida e PIB. No entanto, ele também alerta que a sustentabilidade disso depende muito de quantas pessoas querem acreditar que a bolha não vai estourar, e que a hipertrofia financeira atual será considerada insustentável e, em algum momento, virá um crash.
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