Economia

Crise financeira no Paraguai afeta milhares

Banco Central do Paraguai devolve dinheiro de correntistas do Banco Ueno

Por Rafael Citario
Crise financeira no Paraguai afeta milhares
Foto: Pedro Alliana — Wikipédia/Wikimedia Commons

O Banco Central do Paraguai (BCP) anunciou que devolveu o dinheiro de 1,2 milhão de correntistas do Banco Ueno, totalizando cerca de R$ 880 milhões. A medida foi tomada após o fechamento repentino do banco, que enfrenta problemas financeiros e é alvo de investigações.

Contexto

A crise financeira no Paraguai afeta milhares de brasileiros que vivem no país e trabalham em regiões de fronteira. O Banco Ueno, maior banco digital do Paraguai, tem cerca de 3 milhões de clientes e passou por uma intervenção do Banco Central paraguaio, que interrompeu o acesso dos correntistas ao dinheiro depositado. A situação se agravou depois que ajustes nos balanços do banco fizeram seu índice de solvência cair para menos da metade do mínimo exigido pela regulamentação.

Impacto

O dinheiro devolvido aos correntistas do Banco Ueno saiu do Fundo de Garantia de Depósitos, uma reserva estratégica mantida pelo Banco Central para resguardar os poupadores em cenários de quebra ou intervenção bancária. O presidente interino do BCP, Pedro Acosta, ressaltou que o BCP segue analisando alternativas para auxiliar os depositantes cujos saldos ultrapassavam o limite coberto pela garantia.

Consequências políticas

A crise financeira no Paraguai também teve consequências políticas. O então presidente do país, Santiago Peña, sofreu impeachment e foi destituído da presidência, e logo depois teve sua prisão decretada por envolvimento no escândalo do banco. O caso também levou à renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que havia comandado o próprio Ueno até agosto de 2023.

Próximos passos

O próximo pagamento mensal dos pensionistas do Instituto de Seguridade Social (IPS) será depositado normalmente no dia 17 de novembro, de acordo com o presidente do órgão, Derlis León. Cerca de 32.000 aposentados recebiam seus benefícios por meio do Banco Ueno, e os trâmites finais para transferir essas contas para outros oito bancos locais estão sendo concluídos para evitar prejuízos aos beneficiários. O Banco Central e o governo mantêm a avaliação de que a quebra do Ueno foi um problema isolado e não representa um risco sistêmico para a economia paraguaia.

Com informações de g1 > Economia.
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