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Deserto do Atacama Virou Lixão de Roupas

Mais de 60 mil toneladas de roupas descartadas formam uma montanha visível do espaço no Deserto do Atacama.

Por Rafael Citario ·
Deserto do Atacama Virou Lixão de Roupas
Foto: freestocks no Unsplash

O Deserto do Atacama, no Chile, é conhecido por sua paisagem singular e atrai cerca de 1 milhão de turistas por ano. No entanto, a poucos quilômetros dali, uma montanha de roupas descartadas ocupa 300 hectares da região. Essa montanha é resultado de um consumo insustentável e causa uma emergência ambiental, segundo a ONU.

A indústria da moda rápida é responsável por cerca de 8% a 10% das emissões globais de gases de efeito estufa e representa a segunda maior indústria consumidora de água no mundo. O mercado do fast fashion tem crescido desde a década de 2000, e os consumidores passaram a comprar 60% mais roupas, à medida que o tempo de uso de cada peça caiu pela metade. Estima-se que três quintos de todas as peças de roupa acabem em aterros sanitários ou incineradores no prazo de um ano após a produção.

A Europa é a principal exportadora mundial de roupas descartadas, com 30% do total global, seguida do Reino Unido e dos EUA. Algumas dessas toneladas vão parar diretamente no Deserto do Atacama, nos arredores de Alto Hospicio, uma comuna e cidade vizinha ao porto de Iquique, na região de Tarapacá, no norte do Chile. A localização é importante para explicar a presença da indústria têxtil na região, pois a montanha de roupas está a poucos quilômetros do porto de Iquique, um lugar estratégico no país.

Entre os itens descartados, o catálogo é curioso, com roupas de marcas internacionais como Zara, H&M, Adidas, Nike, Levi’s, Tommy Hilfiger e Hugo Boss. Muitas ainda possuem as etiquetas originais, o que indica que algumas peças nunca foram vendidas. Segundo a revista Dazed, apenas 15% das roupas descartadas no deserto do Atacama foram usadas pelos donos. A maioria é jogada fora pelas próprias empresas, que renovam o estoque a cada nova temporada.

Além disso, as roupas formam um grande problema ambiental. A maioria ali é produzida a partir do poliéster, um tipo de resina plástica derivada do petróleo e que demora 200 anos para se desintegrar. Com o passar do tempo, as roupas se desgastam e liberam microplásticos que acabam na atmosfera, afetando o ecossistema do deserto.

A situação no Deserto do Atacama é um exemplo da emergência ambiental e social causada pelo consumo insustentável de roupas. É importante que os consumidores sejam conscientes do impacto de suas compras e busquem alternativas mais sustentáveis.

FONTE: Super

Com informações de Super.

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