Casa dos Segredos: Luxuosa Mansão que Mudou a 2ª Guerra
Uma mansão luxuosa no Reino Unido foi usada para espionar generais nazistas durante a 2ª Guerra Mundial.

A Casa dos Segredos de Trent Park, uma luxuosa mansão no norte de Londres, desempenhou um papel crucial durante a Segunda Guerra Mundial. A fachada e os salões do térreo revelam o gosto refinado de sir Philip Sassoon, esteta e grande anfitrião antes da guerra. No entanto, o porão esconde uma história de espionagem e intrigas, onde uma equipe monitorou às escondidas as conversas de prisioneiros de guerra alemães de alta patente.
A mansão foi requisitada pelo governo britânico em 1939 e se tornou um Centro de Interrogatório Detalhado dos Serviços Combinados (CSDIC). Thomas Kendrick, um dos mais altos dirigentes do serviço secreto britânico, identificou o local como ideal para instalar a operação. A equipe de Kendrick equipou a mansão com microfones escondidos em vasos de plantas, luminárias e na mesa de bilhar, além de árvores nos jardins. Os agentes de escuta monitoravam as conversas dia e noite, capturando informações vitais que mudaram o curso da guerra.
Uma mansão luxuosa
A arquitetura de Trent Park é muito elegante, serena e discreta, segundo Simon Thurley, assessor sênior da mansão. Os interiores seguem a mesma linha, com papéis de parede chineses requintados e retratos da família pintados por artistas famosos. A mansão foi recriada com todo o cuidado, permitindo que os visitantes sintam que voltaram ao mundo de Sassoon.
Microfones por toda parte
O porão é outra história. A equipe de Kendrick instalou microfones em todo o local, capturando conversas que revelavam informações vitais sobre o plano de guerra alemão. Os prisioneiros eram convencidos de que estavam seguros, mas cada palavra sua era captada pelos agentes de escuta. A historiadora Helen Fry afirma que a mansão inteira e o bloco das cocheiras foram equipados com microfones, permitindo que os agentes britânicos obtivessem informações cruciais.
Um lorde de mentira
Os prisioneiros também tinham um responsável por seu bem-estar: o fictício lorde Aberfeldy, interpretado por um jovem oficial de interrogatório. Aberfeldy dizia admirar Adolf Hitler em segredo e visitava os prisioneiros para levá-los a fazer confidências que eram captadas pelos agentes de escuta. A historiadora Helen Fry afirma que os prisioneiros eram massageados para que se sentissem importantes, o que os levava a revelar informações vitais.
O agente de escuta
Um dos agentes de escuta foi Ernst Lederer, avô da comediante e atriz Helen Lederer. Lederer fugiu da Tchecoslováquia em 1939 e se juntou à equipe de Kendrick em Trent Park. Ele assinou a Lei de Segredos Oficiais e manteve segredo sobre seu trabalho durante a guerra até o fim da vida. A neta de Lederer afirma que a família não sabia o que ele fazia até que participou de um documentário sobre a atuação de seus pais e avós durante a guerra.
A informação mais importante obtida em Trent Park dizia respeito ao programa secreto alemão das armas V. As conversas captadas mencionavam um foguete capaz de atingir 15 km de altitude e a existência do V-2, o primeiro míssil balístico de longo alcance do mundo. As informações levaram ao bombardeio do principal centro alemão de pesquisa e testes de foguetes e mísseis em Peenemünde, na costa do mar Báltico. O impacto do ataque foi imenso, e a história de Trent Park é um testemunho da importância da espionagem e da inteligência durante a guerra.