Brasil

Alertas de Emergência Perdem Eficácia

Excesso de alertas pode levar à fadiga e perda de confiança nos sistemas de alerta.

Por Rafael Citario
Alertas de Emergência Perdem Eficácia
Foto: Jake no Unsplash

Um recente episódio em que um jornal mineiro ensinou seus leitores a desativar alertas da Defesa Civil no celular levanta uma pergunta importante: por que alguém procuraria deixar de receber uma mensagem criada para proteger sua própria vida?


A resposta pode estar relacionada ao fenômeno conhecido como "fadiga de alertas", que ocorre quando avisos repetidos e pouco relevantes começam a perder capacidade de chamar atenção e provocar uma resposta. O Brasil avançou na capacidade de disseminar avisos de emergência, mas o alcance não é sinônimo de efetividade. Uma mensagem pode chegar ao aparelho e ainda assim não produzir qualquer mudança de comportamento.

O que é fadiga de alertas?

A fadiga de alertas está relacionada à frequência e relevância das mensagens, e pode levar à dessensibilização, reclamações e decisão de deixar de receber alertas. Um estudo publicado em 2025 analisou gestores de emergência e integrantes do público para investigar excesso de alertas, fadiga e decisões de deixar de receber ou ignorar avisos. Os resultados mostram que a frequência e relevância das mensagens estão entre os fatores associados à fadiga.

Alertar mais não é necessariamente alertar melhor

Até março de 2026, o Defesa Civil Alerta havia emitido 2.103 avisos desde sua criação, em dezembro de 2024. No entanto, o crescimento precisa ser acompanhado por avaliação de qualidade. Quantos alertas atingiram pessoas realmente expostas? Quantos foram compreendidos? A orientação era executável? Houve mudança de comportamento? Se uma pessoa recebe sucessivos alertas sem identificar risco em seu entorno, pode concluir que o sistema exagera.

Um sistema de alerta começa antes do celular tocar

A iniciativa internacional Early Warnings for All trabalha com quatro componentes essenciais: conhecimento do risco; detecção, monitoramento e previsão; comunicação dos alertas; e preparação para responder. A lógica é de sistemas centrados nas pessoas, e o objetivo não é apenas transmitir uma informação, mas fazer com que ela seja compreensível, confiável e capaz de provocar uma ação antecipada.

Precisamos medir confiança, não apenas alcance

O Brasil já dispõe de um painel que permite acompanhar quantidade de notificações, nível de gravidade, tipo de desastre, período e local de envio. No entanto, o próximo passo deveria incluir indicadores sobre a resposta das pessoas, como compreensão da mensagem, percepção de relevância, confiança no emissor e adoção da ação recomendada. Pesquisas realizadas depois dos eventos também poderiam identificar locais ou grupos onde surgem sinais de fadiga.


A tecnologia brasileira tornou muito mais fácil fazer milhões de celulares tocarem, mas o desafio agora é mais humano: garantir que, quando o alerta chegar, as pessoas ainda parem, prestem atenção, confiem na mensagem e saibam o que fazer. É fundamental entender os motivos pelos quais as pessoas desejariam silenciar uma ferramenta criada para protegê-las, e trabalhar para melhorar a relação entre ameaça, território, momento e orientação.

Com informações de Super.
Esta matéria contém link de afiliado: podemos receber comissão por compras feitas por ele, sem custo extra para você.

Veja também

São Paulo Ganha 4 Novos ParquesBrasil

São Paulo Ganha 4 Novos Parques

há 8 h
Lançamento do Kia Stonic atrasaBrasil

Lançamento do Kia Stonic atrasa

há 11 h
PF encontra R$ 815 mil em veículoBrasil

PF encontra R$ 815 mil em veículo

há 16 h

Mais lidas

  1. Eleições e IPCA-15
  2. Sabores da França no Mercadão
  3. Lula defende redução da maioridade penal em sabatina
  4. Vacina e Microbioma
  5. Arca de Noé na Turquia