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33 Days till Extraction: matar monstros é fácil, difícil é administrar a firma antes que o planeta exploda

Com tiroteios excelentes, gráficos caprichados e uma mistura interessante de ficção científica com necromancia, 33 Days till Extraction surpreende no acesso antecipado. O problema é que evoluir personagens e administrar a base exige uma paciência qua

Por Rafael Citario

Com tiroteios excelentes, gráficos caprichados e uma mistura interessante de ficção científica com necromancia, 33 Days till Extraction surpreende no acesso antecipado. O problema é que evoluir personagens e administrar a base exige uma paciência quase sobrenatural.

Meus amigos, depois de tantos anos jogando videogame, cheguei à conclusão de que o maior inimigo da humanidade não são os alienígenas, os demônios ou os exércitos de robôs assassinos. É a burocracia. Você pode entregar ao sujeito um rifle de plasma, uma armadura futurista e poderes para ressuscitar os mortos, mas basta colocar uma planilha de gerenciamento na frente dele para descobrir quem realmente manda naquele universo.

Foi exatamente essa sensação que tive durante meu contato com 33 Days till Extraction , jogo da Three Whales Studio que está disponível em acesso antecipado no Steam desde setembro de 2026.

A proposta é muito interessante: misturar um RPG de ação com visão superior, elementos roguelite, incursões em territórios hostis e administração de uma base de sobreviventes. Tudo isso em um planeta devastado, onde precisamos resistir durante 33 dias até a chegada de uma operação de resgate.

Em outras palavras, alguém resolveu misturar Helldivers , Diablo , um pouco de Warhammer 40.000 e aquela necessidade absolutamente moderna de administrar funcionários que deveriam estar preocupados apenas em não morrer.

E o mais interessante é que a mistura funciona bastante bem, principalmente quando estamos no campo de batalha.

Gostei dos gráficos, achei os combates muito divertidos e encontrei um sistema de progressão cheio de possibilidades. Mas também passei tempo demais tentando entender por que melhorar determinada instalação parecia exigir mais esforço do que eliminar um batalhão inteiro de inimigos.

PARABÉNS, THREE WHALES! VOCÊS CONSEGUIRAM CRIAR UM UNIVERSO ONDE RESSUSCITAR UM CADÁVER PARECE MAIS SIMPLES DO QUE ORGANIZAR O DEPARTAMENTO DE RECURSOS HUMANOS!

Trinta e três dias para sair de um planeta que claramente não recebe turistas

A história nos coloca na pele de um capelão da morte ligado à Space Desant, uma força militar que opera em um universo de ficção científica bastante sombrio. Nosso personagem acaba preso em um planeta que sofreu um bombardeio orbital e agora está tomado por grupos hostis, caçadores de recompensas e outras criaturas pouco interessadas em estabelecer relações diplomáticas.

A extração acontecerá dentro de 33 dias. Até lá, precisamos sobreviver.

O detalhe mais interessante é que o planeta se torna extremamente perigoso durante o dia. Patrulhas percorrem a superfície, obrigando os sobreviventes a procurar abrigo em ruínas e instalações subterrâneas. É durante a noite que podemos sair para explorar, procurar recursos e enfrentar os inimigos.

Essa inversão é interessante. Normalmente, nos videogames, a escuridão representa perigo. Aqui, o sol é praticamente um aviso de que alguém decidiu aumentar a dificuldade.

A ambientação lembra bastante alguns universos da ficção científica militar, especialmente Warhammer 40.000. Temos armaduras pesadas, tecnologia avançada, soldados implacáveis e aquela atmosfera de que a civilização resolveu gastar seus últimos recursos construindo armas cada vez mais destrutivas.

Mas existe uma diferença curiosa: além das armas convencionais, nosso personagem também utiliza necromancia.

Sim, podemos explorar poderes relacionados aos mortos, recuperar energia e utilizar habilidades sobrenaturais para enfrentar adversários.

É como se um Space Marine tivesse encontrado o Necromante de Diablo durante uma viagem interplanetária e decidido que aquela combinação seria perfeitamente aceitável.

Não vou discutir a ética desse relacionamento profissional, principalmente porque os mortos provavelmente não possuem um sindicato para reclamar das condições de trabalho.

As raids são a melhor parte do jogo, e isso fica evidente rapidamente

O grande destaque de 33 Days till Extraction está nas incursões, ou raids .

É durante essas operações que o jogo realmente demonstra seu potencial. Saímos da base, entramos em regiões perigosas, enfrentamos inimigos e procuramos equipamentos e recursos que serão importantes para manter os sobreviventes funcionando.

A câmera pode utilizar uma perspectiva superior, bastante característica de jogos de ação isométricos, permitindo acompanhar os confrontos e observar o comportamento dos adversários.

Os mapas possuem geração procedural, com variações na distribuição de inimigos, situações e recompensas. Isso ajuda a evitar que todas as incursões sejam exatamente iguais, embora a estrutura básica continue familiar depois de algum tempo.

O sistema de tiro é muito bom.

As armas possuem impacto, os movimentos respondem adequadamente e os confrontos conseguem apresentar aquele equilíbrio agradável entre planejamento e improvisação.

Não é simplesmente uma questão de manter o botão de disparo pressionado enquanto caminhamos pelos cenários. Precisamos observar as ameaças, escolher posições melhores e avaliar quando vale a pena insistir em determinado confronto.

Em alguns momentos, lembrei de Alien Breed , clássico que joguei bastante nos tempos do Amiga. Existe aquela mesma sensação de avançar por ambientes hostis enquanto esperamos que alguma criatura particularmente desagradável apareça de onde menos imaginamos.

Mas 33 Days till Extraction acrescenta camadas modernas de progressão, habilidades e equipamentos.

O resultado é muito satisfatório, especialmente quando encontramos uma arma melhor ou conseguimos combinar algum poder com nosso estilo de combate.

É aquele tipo de jogabilidade que provoca o famoso pensamento: vou fazer só mais uma missão.

Três incursões depois, você descobre que deveria estar dormindo há quarenta minutos.

Armas de fogo, necromancia e uma mistura que lembra Diablo com ficção científica

O arsenal oferece diferentes categorias de equipamentos, incluindo armas balísticas, lasers, armamentos de plasma e tecnologias experimentais.

Mas a grande graça está na possibilidade de combinar esses equipamentos com habilidades sobrenaturais.

Temos poderes relacionados à necromancia, vampirismo e manipulação de energia, criando alternativas que vão além do combate tradicional com armas de fogo.

Esse sistema acrescenta uma característica interessante ao jogo. Podemos desenvolver personagens mais especializados em determinados equipamentos ou experimentar combinações que utilizem poderes diferentes.

Uma arma capaz de provocar efeitos especiais nos inimigos, por exemplo, pode se tornar ainda mais interessante quando combinada com habilidades que aproveitam esses mesmos efeitos.

É justamente essa liberdade que me lembra Diablo. Não pela câmera ou pela temática, mas pela satisfação de encontrar uma combinação de equipamento e habilidades que realmente funcione.

Quando acertamos a configuração, o combate ganha um ritmo delicioso.

O problema é que chegar até esse ponto exige uma quantidade considerável de investimento na evolução dos personagens.

E aí começa aquela parte da experiência em que a Three Whales parece achar que o jogador precisa desenvolver uma carreira administrativa antes de receber autorização para voltar à diversão.

A base é interessante, mas sua evolução demora demais

Entre uma incursão e outra, retornamos à base, onde precisamos organizar recursos, construir instalações, recrutar combatentes e preparar equipamentos.

É uma ideia excelente no papel.

Os materiais encontrados durante as missões possuem utilidade, e as decisões tomadas na base influenciam nossas possibilidades nas próximas operações.

O problema é que a progressão pode se tornar bastante lenta.

Durante meu contato com o jogo, senti que determinadas melhorias exigiam tempo demais para oferecer um retorno realmente perceptível. Aumentar o nível de uma instalação, desenvolver um personagem ou preparar a equipe nem sempre acontece na velocidade que gostaríamos.

É importante deixar claro que não estou pedindo um jogo em que tudo seja desbloqueado depois de cinco minutos.

Gosto de RPGs com progressão elaborada. Passei anos jogando Diablo, desenvolvendo personagens e procurando equipamentos melhores.

Mas existe uma diferença entre uma evolução trabalhosa e uma evolução que atrapalha o ritmo.

Em 33 Days till Extraction, encontrei momentos em que queria simplesmente voltar para uma incursão, experimentar novas armas e enfrentar inimigos. Entretanto, antes precisava verificar instalações, recursos, personagens e diferentes possibilidades de melhoria.

É como estar prestes a participar de uma grande batalha espacial e descobrir que alguém esqueceu de preencher o formulário de requisição de munição.

O mais curioso é que a base tem boas ideias. O sistema de recrutamento oferece personagens com características próprias, as instalações possuem funções diferentes e existe uma sensação de desenvolvimento permanente.

Mas a apresentação dessas mecânicas poderia ser mais clara.

Gerenciar personagens é quase tão complicado quanto administrar uma empresa

Outro ponto que precisa de atenção está na maneira como o jogo organiza seus personagens.

Podemos recrutar combatentes, distribuir funções e desenvolver habilidades, mas nem sempre é fácil compreender imediatamente quais decisões produzirão os melhores resultados.

Existem diferentes caminhos de evolução e sistemas que se relacionam entre si. A proposta oferece profundidade, mas a interface nem sempre explica essas relações com a clareza necessária.

Durante as primeiras horas, essa quantidade de informações pode ser cansativa.

O jogador precisa descobrir não apenas como melhorar o personagem principal, mas também como preparar os demais sobreviventes e utilizar corretamente as instalações.

Não é um problema de complexidade por si só.

Eu gosto de jogos complexos. Afinal, comecei a jogar simuladores militares quando os manuais pareciam apostilas universitárias e entender os comandos de Silent Service era praticamente um curso de especialização.

Mas um bom sistema de gerenciamento precisa explicar suas regras.

Quando uma mecânica exige que fiquemos navegando por menus para compreender uma informação básica, o problema deixa de ser profundidade e passa a ser comunicação.

33 Days till Extraction apresenta esse problema em alguns momentos.

Seria muito interessante encontrar tutoriais mais objetivos, explicações visuais melhores e uma progressão inicial que ajudasse o jogador a compreender naturalmente a importância de cada instalação.

A estrutura já possui bastante potencial. O que falta é torná-la mais agradável de utilizar.

Os gráficos são excelentes e ajudam a vender a atmosfera de guerra

Visualmente, gostei bastante do resultado apresentado pela Three Whales Studio.

Os ambientes possuem uma identidade de ficção científica sombria, com instalações destruídas, regiões devastadas e equipamentos que combinam com a proposta militar do jogo.

As armas e os personagens apresentam um bom nível de detalhes, e os efeitos durante os confrontos ajudam a transmitir a intensidade das incursões.

É especialmente interessante observar a quantidade de informação visual que aparece durante uma batalha mais movimentada, com disparos, explosões e inimigos avançando por diferentes direções.

O jogo consegue transmitir a sensação de estarmos explorando um mundo perigoso e abandonado, onde tudo parece ter sido construído para sobreviver a uma guerra que já passou dos limites.

Também gostei da maneira como a tecnologia e os elementos sobrenaturais dividem o mesmo espaço.

Não é qualquer jogo que consegue colocar armas de plasma e necromancia dentro do mesmo universo sem parecer uma brincadeira completamente aleatória.

33 Days till Extraction encontra uma identidade visual que sustenta essa mistura.

A apresentação ainda pode receber refinamentos ao longo do acesso antecipado, mas o trabalho artístico já é um dos aspectos mais agradáveis da experiência.

O que os outros sobreviventes estão achando?

A recepção dos jogadores na Steam é bastante positiva: na consulta realizada, 83% das 103 avaliações eram favoráveis . Os elogios se concentram principalmente na sensação dos disparos, nas incursões e na possibilidade de experimentar diferentes combinações de armas e habilidades. Alguns usuários destacam que limpar áreas em cooperativo é especialmente divertido. Por outro lado, aparecem críticas muito próximas das minhas impressões: o início exige aprender sistemas demais, a administração da base pode ser confusa e a evolução nem sempre acompanha o ritmo desejado por quem prefere o combate. Também existem comentários sobre picos de dificuldade, áreas relativamente vazias e problemas técnicos pontuais. As atualizações recentes demonstram que os desenvolvedores estão trabalhando nesses pontos, com ajustes na alimentação, na experiência dos personagens e nas funções da base. A impressão predominante é de um jogo com ótimas ideias e uma fundação promissora, mas que ainda precisa organizar melhor seus sistemas antes do lançamento definitivo.

Falta português brasileiro, e isso pesa bastante neste caso

Infelizmente, 33 Days till Extraction não possui localização em português brasileiro .

A Steam informa suporte a inglês, francês, alemão, espanhol da Espanha, russo e chinês simplificado, mas nosso idioma ficou de fora.

Em um jogo de ação relativamente simples, isso talvez não fosse um problema tão grande. Poderíamos compreender os comandos básicos e seguir em frente.

Mas estamos falando de um RPG que apresenta administração de base, recrutamento, profissões, habilidades, recursos e diferentes sistemas de evolução.

É justamente nesse tipo de jogo que a localização faz muita falta.

Com tantos menus e informações, compreender exatamente o efeito de uma melhoria pode representar a diferença entre preparar uma boa equipe e desperdiçar recursos preciosos.

Não considero a ausência de português um detalhe pequeno.

O jogo possui mecânicas suficientemente elaboradas para que uma tradução de qualidade ajude bastante na experiência, especialmente durante as primeiras horas.

Espero que a Three Whales considere acrescentar nosso idioma antes de finalizar o desenvolvimento.

O acesso antecipado tem potencial, mas ainda precisa de ajustes importantes

33 Days till Extraction está disponível para PC desde 17 de setembro de 2026 , mas continua oficialmente em acesso antecipado.

Isso significa que a versão atual ainda poderá receber alterações importantes antes de chegar à edição 1.0.

A própria desenvolvedora já publicou atualizações relevantes, incluindo mudanças no equilíbrio dos inimigos, novos recursos de combate, ajustes nas instalações e melhorias na evolução dos personagens.

Entre as novidades recentes estão a possibilidade de resolver algumas incursões automaticamente, novos equipamentos, habilidades e alterações na distribuição de experiência entre os integrantes do esquadrão.

É bom ver que o estúdio está acompanhando o desenvolvimento e tentando melhorar os sistemas mais complicados.

Mas também considero importante avaliar aquilo que está disponível agora, não apenas aquilo que o jogo poderá se tornar.

E, no estado atual, ainda existe uma diferença perceptível entre a qualidade das incursões e a clareza do gerenciamento.

Quando estamos lutando, o jogo é muito divertido.

Quando precisamos organizar tudo, a experiência perde um pouco do ritmo.

O ideal seria encontrar um equilíbrio no qual o gerenciamento complementasse as incursões sem transformar a preparação em uma atividade excessivamente trabalhosa.

Veja o trailer.

Vale a pena experimentar 33 Days till Extraction?

Sim, principalmente para quem gosta de jogos de extração, RPGs de ação e experiências com progressão persistente.

O que mais me agradou em 33 Days till Extraction foi a qualidade das incursões. O combate funciona muito bem, as armas possuem impacto e a mistura entre ficção científica e necromancia oferece possibilidades interessantes.

Os gráficos também merecem elogios. A direção artística consegue criar uma atmosfera convincente, e os efeitos ajudam a tornar as batalhas bastante empolgantes.

O grande problema está na parte administrativa.

A evolução de personagens e instalações poderia ser mais rápida em determinados momentos, enquanto a interface precisa explicar melhor como seus sistemas funcionam.

Também considero que a falta de português brasileiro prejudica bastante uma experiência tão dependente de menus e informações.

Mas nada disso elimina o potencial da produção.

Existe um jogo muito interessante aqui, especialmente quando deixamos a base para trás e começamos a enfrentar os perigos do planeta.

A Three Whales Studio já demonstrou que consegue construir um combate divertido. Agora precisa fazer com que administrar os sobreviventes seja tão satisfatório quanto sair para uma missão.

Por enquanto, minha recomendação é experimentar, especialmente porque existe uma demonstração gratuita na Steam para quem deseja conhecer a proposta antes de comprar.

Não daria uma nota definitiva enquanto o desenvolvimento continua, mas gostei do que encontrei e quero acompanhar a evolução do projeto.

Principalmente porque, quando tudo funciona, 33 Days till Extraction oferece aquela diversão que faz perder a noção do tempo.

O problema é que temos apenas 33 dias para escapar, e aparentemente o gerente da base pretende gastar uns quinze deles organizando a cozinha.

Agora, com licença, preciso voltar ao planeta.

Tenho alguns inimigos para eliminar, equipamentos para encontrar e poderes necromânticos para desenvolver.

Depois disso, naturalmente, vou precisar passar mais algum tempo tentando descobrir qual funcionário deveria estar trabalhando em determinada instalação.

Porque nem mesmo num planeta devastado por bombardeios orbitais conseguimos escapar da burocracia.

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Com informações de GameHall.
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